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Segunda-feira, Novembro 13, 2006
nossa alma ainda terá conserto?!
Sempre acreditei que a diversidade de interesses fosse um dom, uma qualidade da personalidade das pessoas cultas e antenadas. Vivia sofrendo por gostar de várias coisas ao mesmo tempo, atribulada com mil atividades paralelas incompatíveis, mas mantinha-me crente de que era para o bem. Uma espécie de integração de opostos, dizia eu, imaginando que a psicologia de JUNG teria em minha pessoa o exemplo daquele ser humano que busca viver em paz e equilíbrio ao tentar juntar e incluir tudo o que fosse diverso numa única vida. Nem que para isso essa vida tivesse que ficar louca e exausta.
Porém, tenho compreendido mais a questão da individualidade. Cada um de nós é tão único, tão incomparável que naturalmente nos aprofundamos em gostos e maneiras de lidar com a vida que são muito naturais à nossa personalidade. Por mais que nos esforçamos para aprender física, química e decorar números, sempre seremos topeiras em algumas coisas e espertinhos para outras.
Desta forma, quando o texto de Rubem Alves caiu em minhas mãos me senti novamente compreendida e amada. Ele tem esse poder, escreve como se fosse nosso amigo, uma carta de consolo, de incentivo, de desabafo de comemoração. Ele parece captar aqueles nossos pensamentos mais íntimos e até fugidios e os transforma em crônicas-poemas que falam do dia a dia simples, à luz dos mais eruditos pensadores e filósofos da história.

Concerto para Corpo e Alma é o segundo livro que leio deste autor, mas admito que já me sinto amiga íntima dele. Recomendo uma ou outra crônica aos meus amigos, leio alguns trechos para meus pacientes e até já penso em começar a comprar alguns exemplares de sua obra a fim de poder considerar-me apropriadamente sua fã.
O que ele escreveu para que eu ficasse tão encantada?
Ele escreveu sobre muitas coisas. Entre elas disse o seguinte: que quando somos jovens nos lançamos pelo mundo em busca de tudo que nossos olhos e nossas mãos possam alcançar. Mas que o grande momento da vida acontece quando percebemos que venderemos tudo o que conquistamos em troca daquilo que realmente é importante.
Bonito, não?
Quem quiser saber mais sobre o autor é só acessar seu site oficial:
http://www.rubemalves.com.br/
Coruja Sapiens solou às 8:15 PM
Domingo, Outubro 22, 2006
O DIABO VESTE PRADA
Apesar de ter trabalhado ontem, ao final do dia concordei em ir até o Shopping Frei Caneca, lugar extremamente fashion e cheio de pessoas descoladas. Apesar de ter amigos que curtem esse estilo de vida e são autenticos hypes eu ainda não conhecia esse shopping!!!! Gostei!
Fomos ao cinema, muito amplo e organizado. Era tarde e nossos cérebros cansados de psicologizar o dia inteiro instintivamente escolheram o divertido O DIABO VESTE PRADA.
O interessante é que a história tem tudo para parecer aqueles filmes de mulherzinha, romântico e com o universo feminino em pauta: enaltecendo corpos esqueléticos, bolsas maravilhosas e roupas de griffe. Mas foi surpreendente, o filme mexeu com alguma coisa mais profunda em mim e me remeteu a momentos em minha própria carreira em que me senti tomada por uma espécie de ambição na qual todo o resto parecia pequeno e imaturo, e eu tinha colocado na cabeça que o certo era me doar 100% para ser a melhor, a melhor em alguma coisa que nem eu sabia muito bem o que . E o pior desse tipo de época é que nunca alcançamos o ideal, perdemos nossa essência, amigos e paixões, e a solidão é sempre mais cruel e frustante do que uma carta de demissão.
cena do filme e a crueldade da editora da revista de moda mais poderosa do mundo. Isso me fez lembrar o divertido programa de tv (sádico/masoquista) What not to wear.Sim, gostamos de ver pessoas como nós sendo ridicularizadas por usar roupas como as nossas, e ganharem guarda-roupas caríssimos e efêmeros que possivelmente nunca teremos - a não ser que sejamos vítimas desse mesmo programa.
Muito boa a história , pelas críticas que li, talvez queira conhecer melhor o livro que deu origem ao filme.
Em alguns aspectos me lembrou O DIÁRIO DE BRIDGET JONES, pois dá pra filosofar um pouco sobre os dramas da mulher moderna: casos amorosos, empregos, a busca pela perfeição. Também me lembrou ADVOGADO DO DIABO, pelo cunho filosófico, o preço que se paga pelo sucesso e pela ambição desenfreada.
Para nós, reles mortais que sabemos admirar uma bela bolsa na vitrine da Louis Vitton, que juntamos grana para comprar um ou outro casaco na liquidação da Zara (que é cara mas nem é uma marca considerada no circuito da moda) e que desde jovens sonhamos com o mundo elegante e glamouroso de quem tem grana para gastar com a aparência, o filme é meio desanimador. Se por um lado queremos sempre parecer bonitos e respeitáveis, por outro nos damos conta de que para um orçamento ordinário como o da população brasileira-classe-média, é praticamente impossível estar bem vestido, com a pele e o cabelo bonitos e sedosos como os que vemos na midia. Tudo bem, ninguém tem que se iludir, no fundo no fundo isso tudo é futilidade e dinheiro e beleza não são sinônimos de felicidade. Há tantas outras coisas mais importantes na vida mas... hollywood e seus castelos ilusórios mexem tanto com os nossos desejos que só podem mesmo ser coisa do capeta.
atores do filme: jovens, belos e elegantes.
Coruja Sapiens solou às 10:37 PM
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